Entenda como calcular se o retorno financeiro obtido com os cursos de graduação justifica o investimento.
O mercado de Tecnologia da Informação passa por um momento, no mínimo, curioso. Ao mesmo tempo em que as empresas reclamam de falta de profissionais e anunciam que estão com diversas vagas em aberto, a procura por cursos superiores de tecnologia caiu.
Por que os jovens não estão se sentindo atraídos pela profissão? Será que as empresas de TI não oferecem retorno suficiente para fazer uma pessoa investir quatro anos, ou mais, em um curso de graduação na área? Ou é apenas um fenômeno cultural brasileiro?
Para tentar entender a questão, o COMPUTERWORLD foi atrás de um especialista que pudesse definir em que categoria se encaixam os gastos com cursos de graduação e entender se vale a pena investir na profissão.
> Discuta carreira da CW Connect, a rede social do COMPUTERWORLD.
Segundo Gustavo Cerbasi, sócio-diretor da Cerbasi & Associados, empresa de planejamento financeiro, e autor de diversos livros sobre o assunto, como “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” (editora Gente) e “Finanças para Empreendedores e Profissionais Não Financeiros” (editora Saraiva), explica que as despesas com educação própria devem ser encaradas como investimento.
“Investimos em nossa educação com o objetivo de aumentar nossa renda. É uma de nossas escolhas mais relevantes”, afirma o consultor. Na prática, só faz sentido dispor de tempo e dinheiro em cursos se for para melhorar o desempenho profissional ou aumentar as opções no mercado de trabalho. Ou seja, antes de encarar quatro anos pagando mil reais em uma faculdade, é preciso saber qual a rentabilidade desse investimento.
Calcular o retorno que o profissional terá ao investir em um curso é relativamente simples. Por exemplo, se um curso de R$ 5 mil certifica um profissional a prestar um serviço que pode ser vendido por R$ 100 cada (sem considerar os custos de software e hardware do serviço), ele terá que fechar negócio com 50 clientes para recuperar o valor investido. Só depois desses 50 clientes é que o investimento no curso começaria a gerar resultado para o profissional.
No caso de alguém que vai trabalhar apenas para uma empresa, é possível calcular o retorno com base nos meses de trabalho necessários para recuperar o que foi investido no curso.
Partindo desses princípios, e nos valores dos salários praticados no mercado, segundo pesquisa da consultoria Lopes & Borghi, é possível ter uma idéia do que faz os profissionais ficarem longe dos cursos de graduação mais longos, como Ciência da Computação ou Engenharia da Computação, optando por cursos mais curtos e baratos.
Um administrador de banco de dados, por exemplo, começa ganhando 1,8 mil reais por mês, de acordo com a pesquisa. Em dois anos, um aspirante a profissional pode concluir o curso de tecnólogo em Tecnologia em Banco de Dados da FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista), que custa 787 reais por mês. Em menos de um ano, e considerando a pior alternativa de salário, seria possível pagar o investimento e começar a receber os lucros.
Se optar pela graduação tradicional, o retorno do investimento em educação do estudante vai demorar o dobro para acontecer. E sem grandes perspectivas de ganhar mais do que o outro estudante que é formado em cursos de dois anos.
De acordo com Cerbasi, um investimento em profissionalização é razoável se possibilita um retorno em até dois anos. “Mais do que isso, o profissional ganhará mais aplicando suas reservas em alternativas de menor risco como imóveis ou produtos financeiros como fundos de ações”, explica.
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